Foram apenas dois dias aqui, mas já estava começando a ficar um pouco frustrado com o que ouvia. Vim atrás de paz, mas ouvi muito ódio nas minhas tentativas de conversar com praticamente todo mundo.
Perguntei para dois Israelenses se eles estudavam Arabe na escola – já que Arabe era um dos dois idiomas oficiais de Israel fora o Hebreu – e me dei mal – a pergunta não foi muito bem recebida. Alias, bem mal, a conversa terminou ali. Por outro lado, quando perguntava aos vendedores arabes sobre o conflito, a conversa rapidamente se transformava a uma conversa agrádavel a uma chuva de palavrões.
Mas neste segundo dia, foi salvo por uma história de paz.
E é claro que numa cidade tão turistica – fui conhecer um casal de Japonês. Os dois mais ou menos da minha idade estavam fazendo uma viagem pelo oriente médio de mochilão.
Tudo começou quando perguntei para eles como era o tratamento de turistas Japoneses no oriente médio. Foi aí que ouvi uma história fantástica, uma história de paz. Eis o que me contaram.
“Somos bastante mal recebidos em todos países por aqui, mas somos muito bem recebidos na Turquia.” Quando perguntei porquê:
A nossa história começa faz uns 150 anos, quando o mundo era um lugar muito menos internacional do que é hoje, e muitos países do mundo procuravam mostar sua coragem pela conquistas dos alto mares e oceanos. Foi neste mundo em 1863, que um návio Turco (Militar Ottomano), chamada Ertugrul, deixou seu país e foram se aventurar pelo mundo para descobrir novas terras e mostrar a todos, que Turcos também conseguem dar volta ao mundo.
Depois de chegar próximo ao Japão, o návio encontrou uma tempestada terrível e pelo pavor do grande numero de pessoas a bordo, virou. Da costa, observavam uma comunidade pobre de pescadores Japoneses. Ao verem o návio militar estrangeiro virar, não pensaram duas vezes. Reuniram todos os pescadores desta humilde comunidade, e foram resgatár-los.
Infelizmente. Morreram 533 marinheiros turcos.
Mas graças aos esforços dos pescadores - sobreviveram 68 graças aos esforços dos japoneses que enfrentaram as terriveis ondas para resgatar-los e alguns corpos. Os corpos foram depois carinhosamente enterrados, numa tumba que até hoje tem a bandeira turca. Poucas semanas depois, muito comovido pelo terrível accidente, o Imperador japonês organizou um barco oficial, levando os Turcos sobreviventes de volta para casa e até, alguns dos pescadores pobres para conhecer esta estranha terra. Começou uma amizade forte entre esses dois povos tão diferentes. Mas a história não termina aí.
100 anos depois. Saddam Hussei declarou guerra ao Irã, em 1980 e disse que todos os diplomatas internacionais do país tinha 24 horas para evacuar senão iriam ser preso dentro da guerra. Todos os países conseguiram evacuar seus diplomatas a tempo, fora os Japoneses, pois não haveria tempo para que o governo Japonês enviasse um avião do Japão para resgatár-los. O corpo diplomático aguardou o pior. Não poderiam voar depois das 24 horas pois qualquer avião estrangeiro seria abatido em pleno ar.
Quem salvou os Japoneses foi o governo Turco que enviou um avião da Turkish Airways para buscar-los e mandar-los com segurança de volta para o Japão.
Dois povos tão diferentes, tão distante em religião, cultura e costume – e uma amizade tão forte.
domingo, 24 de janeiro de 2010
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